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Pesquisa com estudantes avalia bem-estar animal

O ensino de bem-estar animal nas áreas de Medicina Veterinária e Zootecnia vem crescendo de forma significativa nos últimos anos. No entanto, a prevalência de disciplinas optativas e a diversidade de abordagens da temática nas Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil indica que ainda há muito a ser feito para melhorar a formação dos médicos veterinários e zootecnistas dentro deste contexto.

Para conhecer melhor a percepção e o conhecimento dos alunos sobre o tema, a Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (Cebea) do CFMV realizou, em 2013, uma enquete. Mais de 900 estudantes de Medicina Veterinária e Zootecnia de cinco universidades, uma em cada região do país, responderam o questionário. A maioria dos alunos (41,5%) tinha entre 21 e 24 anos; 44,1% estavam no terço inicial do curso de Medicina Veterinária ou Zootecnia.

As perguntas tratavam de temas como a existência da disciplina no currículo, em qual semestre era oferecida e se havia aulas práticas, além do conhecimento dos alunos sobre os princípios básicos do bem-estar animal (BEA). O questionário também buscou identificar a percepção dos alunos quanto ao comprometimento do BEA nos animais que são utilizados em ensino, pesquisa, fazenda, zoológicos, circos, atividades esportivas ou que vivem nas ruas.

Conhecimento prejudicado

Apenas uma das cinco IES estudadas não oferecia disciplina de bem-estar animal. Em algumas instituições, BEA está presente em apenas um dos cursos, ou Zootecnia ou Medicina Veterinária. A pesquisa mostrou que mais de 90% dos estudantes ouvidos consideravam como muito importante a oferta do conteúdo de bem-estar animal em disciplina específica.

Na avaliação da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (Cebea) do CFMV, os resultados mostram que o acesso dos alunos ao conhecimento técnico-científico em bem-estar animal encontra-se prejudicado, com percepção equivocada das várias situações estudadas. A falta de conhecimento de conceitos básicos assim como das normativas brasileiras também é preocupante.

“A falta de conhecimento de conceitos básicos assim como das normativas brasileiras é preocupante. O resultado mostra que os conteúdos de BEA e os métodos pedagógicos são ainda insatisfatórios”, afirma a presidente da Cebea, Carla Molento.

Medicina veterinária

A pesquisa ouviu 547 estudantes de Medicina Veterinária nas cinco universidades participantes, sendo que 94% deles consideram muito importante ter uma disciplina específica de bem-estar animal na graduação; os demais não souberam responder (3,2%) ou disseram não ser importante (2,8%). No entanto, pouco mais de 52% responderam ter uma disciplina específica de BEA no currículo.

O levantamento mostrou que as aulas práticas não são comuns, pois apenas 29% dos estudantes informaram ter alguma atividade prática. Ao avaliarem a disciplina específica oferecida, 87,5% dos universitários consideraram satisfatória ou muito satisfatória. A pesquisa mostrou que a avaliação dos docentes responsáveis pelo ensino foi boa (69,7%).

A pesquisa também procurou saber qual a perspectiva dos estudantes de Medicina Veterinária quanto ao impacto dos conteúdos de BEA no contexto do ensino e da pesquisa. Dentre os entrevistados, mais de 65% nunca tiveram envolvimento com pesquisas em bem-estar animal.
Métodos alternativos

Ao serem questionados se o uso de métodos alternativos em aulas práticas poderia comprometer sua formação, 45,6% disseram que sim, 34,6% responderam que não e os demais não souberam responder. Os resultados mostram que existe falta de consenso dos estudantes quanto aos reais impactos dos princípios de BEA na realização de pesquisas e na formação profissional.

Além disso, os estudantes demonstraram desconhecer os princípios de bem-estar animal e as normativas nacionais a respeito do uso de animais em ensino e pesquisa. Ao serem questionados sobre quais eram os 3Rs na experimentação animal mais de 80% disseram não conhecer nenhum deles e apenas 7,5% dos pesquisados conheciam todos.

Em relação as Cinco Liberdades, 77,1% dos alunos afirmaram não conhecer nenhuma delas e apenas 2,7% conheciam todas. Quanto ao conhecimento sobre normas nacionais, os resultados do questionário apresentaram um cenário preocupante. Ao responderem sobre a Lei Federal 11.794/2008 e a Resolução CFMV nº 879/2008, 98% dos estudantes mostraram desconhecer a Lei enquanto 99,3% desconhecem a Resolução.

Percepção dos estudantes

Ao avaliar a percepção dos estudantes quanto ao nível de comprometimento do BEA sob diferentes situações, as respostam indicaram que, no âmbito das IES, há percepção de um comprometimento mediano do bem-estar animal, pois os estudantes tiveram essa percepção sobre as situações que envolvem aulas práticas (49,4%) e realização de pesquisas (46,0%). Um panorama similar foi observado em fazendas (58,3%) e zoológicos (52,9%).

No contexto de animais soltos nas ruas (54,2%), criados em circo (55,8%) ou utilizados em atividades esportivas (47,8%), um maior percentual dos estudantes considerou o comprometimento de BEA como sendo baixo. Apenas com relação ao animais em abatedouros os percentuais de resposta alto (34,4%), médio (27,6%) e baixo (38,3%) foram muito próximos, o que evidencia não haver consenso.

A percepção de alto nível de comprometimento de BEA não predominou em nenhuma situação. A classificação como baixo no contexto de circo (55,8%), ruas (54,2%) e atividades esportivas (47,8%) é preocupante, pois caracteriza uma falta de compreensão da realidade por parte dos respondentes.

Fonte: CFMV

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