Home Artigos Estímulos para um comportamento natural

Chimpanzés se olhando no espelho, ursos polares comendo frutas em blocos de gelo para aliviar o calor ou arranhadores para os felinos afiarem as garras. Situações que podem parecer curiosas, mas que são estritamente necessárias para garantir o bem-estar dos animais domésticos, mantidos em cativeiro ou confinados.

O enriquecimento ambiental consiste em oferecer estímulos que promovam comportamentos naturais aos animais, respeitando as características da espécie e reduzindo o estresse do cativeiro. Ele está presente em diversos cenários: zoológicos, aquários, baias, currais, gaiolas, laboratórios e até mesmo em ambientes residenciais, onde estão os animais de estimação.

A médica veterinária Paloma Bosso, integrante da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (CEBEA) do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), afirma que a falta de desafios e a restrição comportamental comprometem a qualidade de vida dos animais.

“Quando os animais tem motivação para realizar um determinado comportamento, como por exemplo, uma onça que precisa afiar as suas garras num tronco, mas não tem a oportunidade de expressá-lo porque seu ambiente não lhe oferece este tipo de oportunidade, pode desencadear um quadro de frustração”, explica Bosso.

 Enriquecimento ambiental

O médico veterinário está diretamente envolvido na promoção do bem-estar dos animais e a sua atuação inclui, não só o atendimento clínico, mas também o estudo e monitoramento do comportamento das espécies.

Animais estressados estão mais suscetíveis a doenças uma vez que a condição fisiológica do organismo nestas situações adversas pode desencadear ou potencializar quadros patológicos.

“Médicos veterinários têm a singular oportunidade de informar, aconselhar e educar proprietários de animais sobre a importância do bem-estar animal. Orientar sobre esses tipos de cuidados é um importante diferencial para os profissionais que não só asseguram a sobrevivência dos animais, mas visam também melhorar a qualidade de vida deles”, afirma Paloma Bosso.

Na opinião da integrante da CEBEA, há um campo bastante fértil a ser explorado pelos profissionais de Medicina Veterinária já que o impacto do enriquecimento ambiental para repteis, peixes e anfíbios ainda é pouco abordado em pesquisas científicas.

Desde 2005, Paloma Bosso participa da Conferência Internacional sobre Enriquecimento Ambiental, evento que reúne profissionais de diversos países e que, este ano, foi realizado em Pequim, na China.

“A Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal do CFMV contribui para divulgar, para profissionais e estudantes de Medicina Veterinária, uma área de atuação que ainda é pouco explorada”, afirma.

Classificação dos estímulos

Físico – Troncos, vegetações, cordas, folhas secas, lascas de madeira, palha, por exemplo. Esse tipo de estímulo inclui ainda abrigos e pontos de fuga, além de itens necessários para realização de comportamentos típicos de algumas espécies, como o fornecimento de madeiras que favoreçam o ato de roer, típico dos roedores, e o hábito de fuçar em substratos, típico dos suínos.

Social – Consiste em promover a interação social de indivíduos de mesma espécie, como aqueles de hábitos sociais, como os equinos e a maioria dos primatas, ou papagaios e araras, que formam pares e vivem juntos a vida toda. Ou de espécie diferente, desde que a convivência seja harmônica, como por exemplo, espécies que vivem em um mesmo bioma, como zebras e girafas.

Sensorial – Oferecer estímulos olfativos, auditivos, táteis, visuais ou gustativos. Ervas culinárias como canela em pó, orégano e cravo-da-índia podem ser utilizados, assim como essências e até perfumes, para espécies de animais que tem o olfato apurado. Isso permite variar os cheiros presentes em determinado ambiente quebrando a monotonia ali estabelecida.

Alimentar – Enriquecer a forma como os alimentos são oferecidos aos animais. O objetivo é motivar por exemplo um primata a retirar, caso tenha interesse, o alimento de dentro de um tubo de PVC ou ainda um papagaio a se alimentar de frutas inteiras.

Cognitivo – Através da manipulação de objetos que se assemelham a quebra-cabeças a capacidade cognitiva dos animais é estimulada. Assim, nesta categoria inclui-se, por exemplo, o “uso de ferramentas”, para animais que naturalmente apresentem esta habilidade em cativeiro, ainda que por meios não tão naturais, como a criação de cupinzeiros artificiais.

Fonte: CFMV

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