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Centros de zoonoses na mira de CPI dos maus-tratos

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos a Animais, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), quer incluir no Orçamento da União de 2016 recursos para que os municípios capacitem seus centros de zoonoses. Em visita na quinta-feira, dia 3 de setembro, à Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses de Brasília (Gevaz), deputados da CPI recolheram produtos fora da validade, entre coleiras contra a leishmaniose e produtos de limpeza usados nos canis.

As coleiras Scalibor de prevenção da leishmaniose, com prazo de validade até agosto deste ano, foram distribuídas, segundo funcionários, até segunda-feira, dia 31 de agosto. Já as embalagens dos produtos de limpeza (hipoclorito de sódio), que eram armazenados ao lado de abrigos dos caninos, também lhes serviam de bebedouro.

No canil de isolamento, os parlamentares observaram que os cães com risco de transmitir doenças contagiosas não recebiam qualquer tipo de tratamento e higienização. ”Faltam recursos dos governos estaduais e federais, eles não destinam recursos para haver uma condição mínima para os centros de zoonoses poderem operar no País inteiro, e são centros importantes que dizem respeito inclusive à saúde humana”, disse Izar.

Biólogos da Zoonoses de Brasília, que não quiseram se identificar, admitiram que o trabalho de vigilância poderia ser mais eficiente, com investimentos de modernização. Eles também afirmaram seguir as normas do Ministério da Saúde para controle de doenças que podem ser transmitidas por animais.

Doação de animais

Os veterinários do centro de zoonoses fazem uma triagem dos animais que recebem. Os casos de doenças contagiosas, como raiva ou leishmaniose, são submetidos à eutanásia, e os cachorros saudáveis ficam em abrigos à espera da adoção. O deputado Izar, no entanto, disse que foram encontrados animais na fila da eutanásia que não tinham doenças infectocontagiosas. “Temos um projeto de lei [PL 3490/12] que proíbe a eutanásia de cães e gatos sadios nos centros de zoonoses. Se o animal está sadio, porque ele tem de ser exterminado? Ele pode ser adotado, encontrar um novo lar, nova família”, afirmou.

Segundo o deputado, seis cachorros estavam em quarentena, à espera da eutanásia. Conforme funcionários, após testarem positivo para doenças contagiosas, os animais são isolados por risco de contaminação. O deputado Alexandre Serfiotis (PSD-RJ) disse que vai propor uma campanha nacional de adoção de animais. “Nós vamos propor na Câmara, junto à CPI e ao presidente, uma campanha de adoção para esses animais, para conscientizar a população de uma maneira geral. Vamos fazer com que isso mobilize o País”, afirmou.

Denúncias de tortura

A ida da CPI à Zoonoses foi motivada por denúncias de tortura de animais e despejo de lixo cirúrgico nas proximidades do Hospital da Criança de Brasília, que trata pacientes com câncer. Essas denúncias também levaram um grupo de ativistas à Zoonoses em busca de explicações. Ativistas estão acampados em frente ao local em protesto a um vídeo divulgado nas redes sociais que mostraria animais sendo submetidos a coleta de sangue como parte de um treinamento de pessoas da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

“A gente começou a acampar aqui há uma semana, em uma vigília de ativistas que se revezam, por conta da denúncia”, disse a jornalista e ativista Carolina Mourão. “Esses animais sofreram muito e alguns morreram no procedimento. Eles dizem que alguns morreram por leishmaniose e outros foram adotados, mas a gente sabe que não é verdade”, acusou.

Em resposta a outras denúncias feitas por ativistas, de que existia cemitério de animais no terreno do Zoonoses, os funcionários explicaram que a área foi desativada em 2004, mesma época em que parou de ser usada a câmara de gás para a eutanásia. Peritos criminais e médicos veterinários da Polícia Federal acompanharam os deputados na diligência nesta quinta-feira. O laudo dos peritos auxiliará os parlamentares na elaboração de relatório final que será entregue em 4 de dezembro deste ano.

Fonte: Agência Câmara

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